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É o meu aniversário
Uiiiiiiiiiiiiiii… há tanto tempo que não venho ao meu cantinho…
Ainda se lembram de mim? Não?
Todos os dias digo: “hoje vou até ao meu blog”, mas depois não venho. Porquê?
Não sei.
Sinto-me sem vontade para nada. Limito-me a vaguear entre a cama e o sofá, entre o quarto e a sala. Lá saio para ir com os cães à rua ou para tomar um café, mas nada mais.
O tratamento aproxima-se, e agora que ele está quase aí, tenho medo de não ter forças para o enfrentar.
Medo do desconhecido? Talvez…
Não estou muito esperançada, mas mesmo assim tenho medo do confronto com o negativo, de não conseguir aguentar…
Entretanto, retomei a acupunctura e, estou à espera de €uritos para ir comprar a medicação da fitoterapia. Tudo por um positivo que eu muito desejo mas que me parece difícil de alcançar.
Sempre fui optimista, muito optimista mesmo. Mas neste momento sinto uma gravidez como algo muito difícil de eu realizar. Vou combatendo esta onda que me invade
Esta noite dormi mal. Muitos pesadelos, acordei muitas vezes.
Bem chega de vos melgar. Deixo-vos com uma musiquita que não me saí da cabeça.

Descalça vai para a fonte
Lianor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura.
Leva na cabeça o pote,
O testo nas mãos de prata,
Cinta de fina escarlata,
Sainho de chamelote;
Traz a vasquinha de cote,
Mais branca que a neve pura.
Vai fermosa e não segura.
Descobre a touca a garganta,
Cabelos de ouro entrançado
Fita de cor de encarnado,
Tão linda que o mundo espanta.
Chove nela graça tanta,
Que dá graça à fermosura.
Vai fermosa e não segura.
Luís de Camões
E começamos o Europeu da melhor forma: uma vitória por 2-0 contra a Turquia.Olá, Olá!
A pedido de “muitas famílias” aqui vão algumas actualizações. Aviso desde já que este vai ser um post “bué, bué da” grande, e não haverá prémio para quem conseguir chegar ao fim.
Take 1: Adopção
Em meados de Abril, foi entregue a uma vizinha minha um bebé de 15 meses, depois de uma longa espera de 6 anos.
No dia em que o conheci… bem, nem sei como explicar o que senti. Consegui controlar-me e acho que ninguém percebeu, mas fui invadida por uma emoção tão grande… um aperto na garganta, uma vontade de chorar… senti que de facto é possível amar uma criança que não tenha saído do nosso ventre. Afinal, não sou eu que sou demasiado sonhadora, optimista ou irrealista. Aquele casal estava (e está) nas nuvens. Só dizem que valeu a pena cada segundo daquela longa espera. Em menos de uma semana já os chama de mamã e papá.
A segunda vez que me viu veio logo para o meu colo e sorriu, sorriu muito. Agora é só ver-me que vem logo para o meu colo e ri muito.
Sinto uma ternura tão grande por aquele menino…
Take 2: Ternura
No dia
Na hora de cantar os Parabéns, enquanto todos cantavam, mãe e filha permaneciam abraçadas e eu voltei a comover-me. Começou a apoderar-se de mim uma enorme vontade de chorar de emoção (raio das hormonas) ao ver aquele momento de amor, ternura e cumplicidade.
Mas na minha cabeça batia um pensamento:” será que vou viver momentos assim?”
Take 3: SPOOOOORTING
E nesse mesmo dia o meu Sporting ganhou a Taça de Portugal.
Eh, eh, eh!
O moço ganhou um “ganda galo”. Ou será que foi uma águia depenada?
Take 4: 19 e 20 de Maio
Sabem onde eu fui, sabem?
Fui com o moço jantar a um restaurante Nepalês!
Como nunca tínhamos experimentado… Posso dizer que gostei muito. Menos picante que o Indiano. As entradas muito boas. Eu optei pelo vegetariano, o moço pelo caril de borrego. Bebinca (acho que é assim que se escreve) para sobremesa, que é um bolo feito com leite de coco, ovos e amêndoa. Seguiram-se cafés e pedimos a conta. Esta veio acompanhada com shot’s de manga. Pensei “deve ser para não cair para o lado com o valor”. Má-língua. É que nem foi muito caro: uma média de 11€/pessoa.
Quando chegamos a casa começou a doer-me a barriga. Não. Não foi do jantar. Era apenas o Mr. Red a fazer-se anunciar. Aqueci o meu saquinho de ervas terapêuticas e enfiei-me na cama. Durante a noite as dores foram alternando: ora mais fortes ora mais suaves.
Acordei às 5h com uma dor mais forte. Tentei adormecer, até porque tinha de me levantar cedo. Na rua caía uma chuvada. Virei-me para um lado, mas a dor tornava-se mais forte. Virei-me para o outro e lá consegui suportar. Quando adormeci já devia ser perto das 6h30… para acordar às 7h… E nada melhor que chegar à casa de banho e receber os bons dias do Mr. Red.
Entretanto a minha cadela também foi brindada com o cio e dores de barriguita…
Take 5: Visita dos cunhados
Pois é o irmão do moço e a sua cara-metade vieram cá passar o feriado do Corpo de Deus.
Foi um dia bastante agradável. Muita conversa.
A minha cunhada referiu o facto do moço nunca falar da infertilidade. Falamos muito uma com a outra. Temos muitas coisas
E vamos lá a terminar o post que já oiço bocejar e está-me a parecer que já existem cabeças adormecidas em cima dos teclados…
Mas antes de me ir embora fica aqui uma corrente muito positiva e um desejo de muito BOA SORTE para a minha amiga e companheira de luta Madredeus que faz o teste amanhã: Amiga torço por ti.
A quem conseguiu chegar até aqui: MUITO OBRIGADO pela vossa paciencia. E aqui fica um pequeno presente

E para todas nós que ainda não conseguimos ser mães, que no próximo ano já possámos ter nos nossos braços ou no nosso ventre o filho tão desejado e amado.
… é este o sentimento.
Ando há uma semana para escrever este post mas tem sido difícil… está a ser difícil. Por isso peço desculpa se for difícil entender.
Como já vos tinha dito, a minha testosterona está elevada. O aconselhamento médico da API disse que os androgénios interferem com a ovulação e que poderia estar aqui a causa da infertilidade, mas que deveria ser estudado para verificar se a origem é ovárica ou das supra-renais. E aconselhou-me a procurar ajuda. No HSM desvalorizaram a questão e nem sequer olharam para as análises.
A incerteza de que algo aqui não batia certo, levou-me a procurar outra opinião. Marquei uma consulta para a IVI com o Dr. Sérgio Soares.
Na passada segunda-feira eu e o moço lá fomos até à Expo. As instalações são excelentes, o atendimento fantástico.
Á hora marcada o Dr. Sérgio chamou-nos. Pediu desculpa por tanta pergunta, mas explicou que precisava de saber tudo. A sua calma contagiou-me e lá fomos respondendo a todas as questões. Eu levava apenas as análises comigo pois tudo o resto está no meu processo no HSM. Relatei tudo o que sabia desses resultados. Mostrei-lhe as análises e ele parou no valor testosterona e explicou que é um valor a ter em conta, até porque um valor muito elevado (acho que 100 vezes mais o valor limite) pode indicar a existência de tumor. Eu tenho duas vezes mais que o valor limite e como também fiz os marcadores tumorais esta hipótese ficou descartada. Contudo o Dr quer saber de onde vem este valor e lá me mandou fazer mais exames.
Fez-me a observação ginecológica e eco e chamou o moço para assistir (o que eu gostei muito, pois acho importante que eles estejam a par de tudo o que é dito). Começou por dizer que estando eu no 21º dia do ciclo, poderia garantir que eu não tinha ovulado pois o endométrio tinha aspecto de 3º ou 4º dia. Depois calmamente, foi dizendo que o meu aparelho reprodutor já não era de uma menina de 25 anos (o.k. eu tenho 34). Lá foi mostrando e explicando tudo. Chegou aos ovários. Começou pelo direito e disse-me que ele já não estava a funcionar nada bem (baixa reseva de óvulos). Depois foi ao esquerdo e disse que aquele ainda tinha uma boa reserva de óvulos. Passou um cateter pelo meu útero e houve passagem. Encontrou ainda um pequeno mioma.
Vesti-me, pesaram-me e lá fui ouvir o Dr. Pois a solução é mesmo FIV. Explicou-me todo o processo, e mandou-me tomar ácido fólico.
Adorei a clínica, desde as instalações ao pessoal. Disseram-me que poderia trazer credencias para fazer lá as análises ou então fazer num laboratório à minha escolha. Gostei muito do Dr. Sérgio: calmo e atencioso.
Já fiz os exames que me pediu e agora estou a aguardar os resultados.
Saí da clínica muito em baixo: o meu aparelho reprodutor já está a envelhecer.
Vim revoltada: porque é que no HSM não ligaram nenhuma ao valor da testosterona? Só porque não foram eles a pedir as analises?
Tenho FIV para Agosto no HSM. Ou posso fazê-la já no IVI, mas o factor €€€…
No Sábado o Red deu à costa num ciclo de 25 dias.
As lágrimas caem pelo rosto da minha mãe ao ver-me assim. O moço ou não está nem aí, ou ainda não percebeu a gravidade da situação.
Eu sinto-me em baixo, triste, desiludida, revoltada, vazia e só.
…que te foste embora. Num dia quente de primavera.
Dias antes despediste-te de mim, baixas-te os braços e deste-te por vencido.
Chamaste-me e disseste:
“as pessoas nascem, vivem e morrem. Eu nasci, vivi e agora vou morrer” depois fixaste-me e firmemente continuaste: “e eu não quero que tu chores”. Reforçaste: “ ouve bem o que eu te digo, não choras” Nesse dia entregaste as armas. O teu olhar perdeu o brilho. Tinhas deixado de lutar contra a sentença que te tinham lido 8 meses antes: “ o senhor tem um cancro e tem
Durante uma semana foste entregando as armas, lentamente, uma a uma. De vez em quando ainda tentavas lutar, mas o teu rival era cada vez mais forte, mais traiçoeiro, mais invasivo. Espalhava-se rapidamente pelo teu corpo.
De vez enquanto ficavas baralhado. Choraste a primeira vez que te viste de fralda. Tu, logo tu que nunca choravas.
E foste-te deixando morrer lentamente no lento morrer dos dias
A tua consciência foi cedendo, e no dia 17 já não falavas, já não abriste os olhos. Apenas a tua respiração pesada e muito lenta dizia que ainda estavas vivo. Fui falar com a enfermeira para ver se conseguia que ela me alimentasse a esperança.
A enfermeira disse-me: “ele quer ir-se embora, mas não vai enquanto aqui estiver. Não o faça sofrer mais, deixe-o ir”.
Voltei para junto de ti. Rezei. Depois, depois disse o que jamais imaginei dizer: “se queres ir vai”.
Eram 23 horas.
Saí do quarto a chorar.
Vim para casa e deitei-me, sempre à espera que o telefone tocasse. Mas não tocou.
No dia 18 levantei-me com um misto de sensações. Corri para o telefone. Liguei para o hospital, como fazia todas as manhãs nos últimos meses e perguntei como tinhas passado a noite. Do outro lado uma voz disse: “o seu pai faleceu hoje às 0 horas”.
Faz hoje um ano. Um ano de imensa saudade.
Um ano em que ainda tenho esperança que a qualquer momento vais entrar pela porta.
Um ano em que à noite, quando não consigo dormir, dou liberdade às lágrimas e deixo-as rolar pelo meu rosto.
O amor, o amor Pai, esse é cada vez mais forte.
Amo-te Pai.

